Uma Igreja continuamente tentada
A EG nos
oferece uma oportunidade de fazermos um verdadeiro exame de consciência
eclesial. Geralmente nós temos por hábito fazermos ao fim de cada dia, antes de
dormir, um exame pessoal de consciência, vendo os nossos pecados e erros
cometidos durante aquele dia. O que o Santo Padre nos pede é que tenhamos um
olhar eclesial mais apurado, para percebermos melhor quais as tentações que nos
atacam como membros da Igreja, ou até mesmo como Igreja. Algumas questões
deveríamos sempre de novo nos propor: Como eu vejo e trato as outras pessoas?
Como eu vejo a Igreja de Cristo?
O Papa
Francisco ressalta, em EG 77, o fato de que os agentes de pastoral, bispos,
padres e leigos, todos são influenciados pela cultura vigente, ou seja, nós não
somos seres angelicais, mas sim conseqüência do mundo em que vivemos. Portanto,
os valores assumidos pela nossa sociedade tornam-se de certo modo também nossos
e é aí que se escondem talvez as nossas grandes tentações que enfrentamos. Isso
exige que entremos sempre de novo em um processo de conversão. Por isso,
precisamos olhar para a Igreja de um modo novo, mais pastoral. “A Igreja é mãe,
não é museu”, falou outro dia o Santo Padre. Sem esse olhar novo e convertido,
nós iremos sempre compreender a Igreja de um modo “mundano”, ou seja, de um
modo como o mundo, como a sociedade compreende e se perde totalmente a dimensão
profética da Igreja de Cristo. Porém, para que haja esta mudança de
compreensão, precisamos também mudar a compreensão que temos do outro, que
deixa de ser visto como um joguete, que pode ser usado e deixado de lado quando
não se quer mais, para ser compreendido como um irmão, uma irmã na fé, alguém
que nos ajuda na caminhada.
O Papa trata,
com seriedade, o tema do “mundanismo espiritual”, que pode ser a grande praga
que afeta muitos setores da nossa Igreja, assim como as nossas relações
intra-eclesiais. Assim diz o Papa na EG 97: “Quem caiu neste mundanismo olha
de cima e de longe, rejeita a profecia dos irmãos, desqualifica quem o
questiona, faz ressaltar constantemente os erros alheios e vive obcecado pela
aparência. Circunscreveu os pontos de referência do coração ao horizonte
fechado da sua imanência e dos seus interesses e, consequentemente, não aprende
com os seus pecados nem está verdadeiramente aberto ao perdão. É uma tremenda
corrupção, com aparências de bem.” A Igreja não deve ser usada para jogos de poder. A sua dimensão
profética está em anunciar pela vida doada a serviço dos outros que, como discípulos
missionários de Jesus Cristo nós somos diferentes, justamente porque servimos e
amamos.
Sair
do “mundanismo espiritual”: eis o desafio que o Papa Francisco nos propõe.
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