6 de dezembro de 2014

Conversando com a Evangelii Gaudium II

Ainda uma Igreja em saída
Uma das coisas mais fascinantes na vida da Igreja é a sua dimensão missionária, que seja a expressão concreta de uma alma missionária. É preciso que essa alma missionária seja fruto de uma espiritualidade missionária, a partir da contemplação das diferentes passagens bíblicas, especialmente nos Evangelhos, Atos dos Apóstolos e das epístolas, que tratam dessa temática. 
Vivemos, na Igreja, especialmente a partir do Concílio Vaticano II, um tempo especial de planos e projetos pastorais. Durante doze anos da minha vida presbiteral (entre os anos 1993/1999 e depois entre os anos 2005/2009), atuei na Coordenação de Pastoral de minha Diocese, auxiliando na elaboração de diversos Planos de Pastorais. Cada Plano era a "adaptação diocesana" das Diretrizes gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, levando-se em conta também as nossas realidades locais. Acredito na importância das Diretrizes Gerais e dos Planos de Pastoral para uma melhor ação conjunta do todo de nossas Dioceses. Porém, um Plano que não seja consequência de uma espiritualidade missionária cultivada no todo da Igreja acabará se tornando um rotundo fracasso. Os Planos servem para canalizar toda a energia missionária que surge na Igreja, a partir das suas lideranças.
O Papa Francisco dedica uma boa parte da Evangelii Gaudium para tratar da figura do agente de pastoral, especialmente dos presbíteros. Ele dedica uma parte do primeiro capítulo a tratar das tentações enfrentadas pelos agentes de pastoral, que agem na Igreja, mas são continuamente atingidos pelo "mundo", ou seja, pela influência da cultura dominante, que, sem notarmos, vai nos tornando pessoas egoístas, fechadas ao outro, consumistas e superficiais. Os parágrafos 76 em diante tratam desse tema.
Karl Rahner, grande teólogo alemão do século passado, declarou certa vez que os cristãos do terceiro milênio, ou serão místicos ou não serão cristãos. De fato, ou criamos um espaço generoso em nossa vida para uma vida de oração, que nos conduza a uma espiritualidade verdadeiramente eclesial e missionária, ou nos tornaremos apenas "fazedores de coisas" em nossa ação pastoral. E fazedores de coisas não vão ao encontro dos outros, não saem de suas sacristias, não dão a sua vida pelo Reino.
Que possamos, neste Tempo do Advento, abrir o nosso coração a Deus que vem, para que nossa ação pastoral seja verdadeiramente missionária.
Até à próxima!

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