4 de janeiro de 2015

Conversando com a Evangelii Gaudium VI

(Após várias semanas de intenso trabalho pastoral de fim de ano, que impossibilitou novas postagens, retornamos...)



O papel da mulher na Igreja

O Papa Francisco dedica alguns parágrafos da EG, nos números 103 e 104, às mulheres e sua ação no âmbito teológico e eclesial. É preciso que se tenha em mente a grande importância das mulheres na vida da igreja, desde os seus primórdios até os dias de hoje. A grande maioria de nossas lideranças e fieis são do sexo feminino, fenômeno esse que não é exclusividade dos católicos ou mesmo dos cristãos. A mulher, com a sensibilidade que lhe é própria, está muito mais propensa à prática da religião do que o homem, que geralmente tende a ser mais duro às questões de fé. Em geral, em nossas comunidades, os homens tomam conta dos trabalhos brutos, como as obras, as festas e os churrascos, enquanto que às mulheres cabem as tarefas mais sensíveis como as orações, o culto, a liturgia, a devoção. Somente após surgimento dos grandes movimentos eclesiais, mitos deles voltados aos casais, é que os homens começaram a ter uma atitude de maior participação nas atividades pastorais e sacramentais na Igreja. Também, em muitos lugares, as mulheres começaram a atuar de forma mais decisiva nos ministérios de coordenação e nas atividades mais concretas da vida de nossas comunidades.
A questão da negativa à admissão ao sacerdócio ministerial às mulheres já foi decidida de forma definitiva pelo Papa João Paulo II. O Papa Francisco não vê nisso uma diminuição da dignidade feminina na vida da Igreja, mas uma possibilidade de valorização da mulher enquanto mulher. O sacerdócio ministerial deve ser visto como um serviço que se presta à Igreja, e não como uma questão de poder, entendido como dominação. Aqui entra uma reflexão que foi feita no post anterior. É preciso, alerta o Papa, que os teólogos e pastoralistas ajudem a refletir e definir com coragem qual é o real papel das mulheres na vida da Igreja. 
Aqui eu me atrevo a tentar refletir sobre isso. As mulheres têm na vida da Igreja um papel semelhante aos dos homens, excetuando o do sacerdócio ministerial. O seu papel vai na linha da maternidade, uma vez que as mães possuem, por vocação própria, o "instinto" da geração e da acolhida. A Igreja se torna sempre mais acolhedora na medida em que as mulheres tomam a linha de frente na ação pastoral e evangelizadora. A sensibilidade própria para "ver" os pobres, os sofredores, aqueles que buscam na Igreja o "colo" necessária. Isso, nós, homens, temos mais dificuldade para fazer. Sem a força e presença da mulher ao nosso lado, a Igreja predominantemente masculina, vai se tornando uma "empresa de atividades religiosas". Por isso, numa Paróquia, o ideal é que, ao lado do pároco, tenha sempre uma secretária com grande instinto de afeto e de acolhida. Igualmente, nas pastorais de visitação e de atendimento aos mais pobres, as mulheres possuem uma visão materna, que ama, acolhe e serve os que necessitam. 
Que as nossas mulheres possam ter uma consciência sempre maior da sua importância na vida da Igreja e possam corresponder, como Maria, à sua vocação.