9 de dezembro de 2014

Conversando com a Evangelii Gaudium III

Viver em relação com os outros

Nós, cristãos, somos, antes de tudo, seres humanos. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e, pela Graça do Batismo, recriados em Cristo, como novas criaturas. Por isso, as nossas relações humanas dos mais variados tipos, precisam, necessariamente, ser marcadas pelo novo, que é a nossa Redenção por meio do Sacrifício Redentor de Jesus Cristo.
O Santo Padre dedica os parágrafos 87 a 92 para tratar desse tema. Como vivemos em relação com os outros, precisamos marcar essas relações pela presença do Senhor, elas precisam ser “geradas” por Jesus Cristo. O que significa isso, de modo concreto? Em primeiro lugar é necessário ter muito presente que, na Igreja, nós não tratamos as pessoas como números de uma estatística. Aqueles que nos foram confiados não são apenas um rebanho ovino, embora devamos ser pastores. Cada pessoa é um universo à parte, possui sonhos, desejos, medos, tristezas, traumas, alegrias... Possui, enfim, uma vida que é única e irrepetível. Deve, portanto, ser tratado como tal.
O grande desafio que a EG faz a nossas estruturas paroquiais é a de que se tornem cada vez mais humanas, deixando de ter um aspecto quase que empresarial. Uma Igreja não pode ser uma “agência de assuntos religiosos”, onde as pessoas só procuram para adquirir serviços sacramentais. Deve ser, pelo contrário, uma casa onde a comunidade se sinta à vontade, acolhida e seja aonde as pessoas gostem de estar.
Nos nove lugares onde trabalhei nesses quase 24 anos de ministério ordenado,  consegui dar passos nessa direção. Em alguns lugares, como, por exemplo, a Paróquia Sagrada Família (1994/1998), a Paróquia São José Operário (2003/2009), a Paróquia do Bom Fim (2010/2013) e agora, na Paróquia São Luiz Rei, em Mostardas, sempre busquei fazer da Casa Paroquial e da Secretaria da Paróquia lugares onde o povo sempre encontra chimarrão e um bom bate-papo.
Eu acredito que esses são espaços que não podem ser ambientes pesados, mas sim, lugares onde se encontra a acolhida e o amor cristão, que a Igreja deve manifestar. É terrível quando as pessoas pegam medo de ir à sua Igreja para tratar de algum assunto do seu interesse. É terrível quando elas chegam diante do pároco com receio de serem corridas.
Outro aspecto a ser abordado é o da vivência comunitária. Nas décadas passadas, por exemplo, fervilhavam em nossas comunidades os “Grupos de Família” ou “Círculos Bíblicos”. Hoje são raros os grupos existentes. As pessoas têm medo de abrir suas casas para os vizinhos e outros estranhos. A vivência comunitária da fé vai, aos poucos, perdendo o seu sentido. Quando fazemos a experiência de sermos irmãos na fé, conseguimos abrir o coração e a vida para os demais. Mas, para isso, torna-se fundamental que as nossas Igrejas sejam a extensão da nossa casa, da nossa família. Aí, sim, ao natural vamos conseguindo dar passos na direção de uma Igreja, Sacramento de Comunhão.

Por uma Igreja mais humana, mais humanizada, mais humanizadora... Que esta seja, hoje, a nossa prece. 

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