Viver em relação com os outros
Nós, cristãos, somos, antes de
tudo, seres humanos. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e, pela Graça
do Batismo, recriados em Cristo, como novas criaturas. Por isso, as nossas
relações humanas dos mais variados tipos, precisam, necessariamente, ser
marcadas pelo novo, que é a nossa Redenção por meio do Sacrifício Redentor de
Jesus Cristo.
O Santo Padre dedica os
parágrafos 87 a 92 para tratar desse tema. Como vivemos em relação com os
outros, precisamos marcar essas relações pela presença do Senhor, elas precisam
ser “geradas” por Jesus Cristo. O que significa isso, de modo concreto? Em
primeiro lugar é necessário ter muito presente que, na Igreja, nós não tratamos
as pessoas como números de uma estatística. Aqueles que nos foram confiados não
são apenas um rebanho ovino, embora devamos ser pastores. Cada pessoa é um
universo à parte, possui sonhos, desejos, medos, tristezas, traumas, alegrias...
Possui, enfim, uma vida que é única e irrepetível. Deve, portanto, ser tratado
como tal.
O grande desafio que a EG faz
a nossas estruturas paroquiais é a de que se tornem cada vez mais humanas,
deixando de ter um aspecto quase que empresarial. Uma Igreja não pode ser uma “agência
de assuntos religiosos”, onde as pessoas só procuram para adquirir serviços
sacramentais. Deve ser, pelo contrário, uma casa onde a comunidade se sinta à
vontade, acolhida e seja aonde as pessoas gostem de estar.
Nos nove lugares onde trabalhei
nesses quase 24 anos de ministério ordenado, consegui dar passos nessa direção. Em alguns
lugares, como, por exemplo, a Paróquia Sagrada Família (1994/1998), a Paróquia
São José Operário (2003/2009), a Paróquia do Bom Fim (2010/2013) e agora, na Paróquia
São Luiz Rei, em Mostardas, sempre busquei fazer da Casa Paroquial e da
Secretaria da Paróquia lugares onde o povo sempre encontra chimarrão e um bom
bate-papo.
Eu acredito que esses são
espaços que não podem ser ambientes pesados, mas sim, lugares onde se encontra
a acolhida e o amor cristão, que a Igreja deve manifestar. É terrível quando as
pessoas pegam medo de ir à sua Igreja para tratar de algum assunto do seu
interesse. É terrível quando elas chegam diante do pároco com receio de serem
corridas.
Outro aspecto a ser abordado é
o da vivência comunitária. Nas décadas passadas, por exemplo, fervilhavam em
nossas comunidades os “Grupos de Família” ou “Círculos Bíblicos”. Hoje são
raros os grupos existentes. As pessoas têm medo de abrir suas casas para os
vizinhos e outros estranhos. A vivência comunitária da fé vai, aos poucos,
perdendo o seu sentido. Quando fazemos a experiência de sermos irmãos na fé,
conseguimos abrir o coração e a vida para os demais. Mas, para isso, torna-se
fundamental que as nossas Igrejas sejam a extensão da nossa casa, da nossa
família. Aí, sim, ao natural vamos conseguindo dar passos na direção de uma
Igreja, Sacramento de Comunhão.
Por uma Igreja mais humana,
mais humanizada, mais humanizadora... Que esta seja, hoje, a nossa prece.
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