Após merecidas férias, continuamos com postagens sobre a EG
O primado da Graça e a ação humana na Igreja e através
dela
Deus
chama a todos os homens para que se tornem seus filhos e filhas. Este chamado
acontece sempre por iniciativa divina, em consonância com a ação humana. A Igreja
atua como instrumento de Deus e como Sacramento Universal de Salvação. Ela
anuncia de modo “jubiloso”, alegre, a mensagem salvadora de Deus por meio de
seu Filho, Jesus Cristo.
O Papa Francisco cita o seu antecessor, Bento XVI,
quando afirma que “é sempre importante saber que a primeira palavra, a iniciativa
verdadeira, a atividade verdadeira vem de Deus e só inserindo-nos nesta
iniciativa divina, só implorando esta iniciativa divina, nos podemos tornar
também – com Ele e nele – evangelizadores.”[1]. Às vezes, estamos tão preocupados com os
nossos planos e projetos pastorais, que nos esquecemos que eles devem nascer
primeiro no Coração de Deus, para depois serem organizados na nossa mente e
ação prática. A Igreja torna-se evangelizadora na mesma medida em que ela se
deixa “evangelizar” pela ação do Espírito Santo, que move e impulsiona toda a
ação eclesial.
Outro aspecto
importante que o Papa aborda na EG 113 é sobre a importância de a Evangelização
nos conduzir a uma ação eclesial, uma vez que, uma vez evangelizados, nós nos
tornamos parte viva do Corpo de Cristo. “Ninguém se salva sozinho, isto é, nem como indivíduo isolado, nem por
suas próprias forças. Deus atrai-nos, no respeito da complexa trama de relações
interpessoais que a vida numa comunidade humana supõe. Este povo, que Deus
escolheu para si e convocou, é a Igreja.”[2]
Como precisaríamos crescer na consciência de que todos somos Igreja e que, por
isso, toda a nossa ação deve ser eclesial e deve repercutir eclesialmente, ou
seja, o nosso modo de ser e de viver nos torna “co-responsáveis” pela perdição
ou pela salvação de muita gente, que olha para nós como exemplo a ser seguido
ou a ser evitado. Assim como muitas pessoas contribuíram para a nossa vida na
fé (e quantos outros foram contra-testemunhas para nós?), nós também
contribuímos para a salvação ou não de tantos outros que vêem em nós como
discípulos missionários de Jesus Cristo.
Da mesmo forma que existe a dimensão social do pecado
e todo o ato pecaminoso atinge a humanidade como um todo, a santidade também
possui sua dimensão coletiva. Chiara Lubich cunhou a expressão “santidade
coletiva”, para dar destaque que os santos não são apenas santos para si
mesmos, mas para toda a humanidade e o seu testemunho faz resplandecer a ação
contínua do Espírito de Deus na humanidade, tornando-se alavanca para que
outros também busquem viver o mesmo ideal. Basta ver a vida dos santos e santas
para percebermos a importância de suas vidas não apenas para a sua época e
cultura, mas para todos os tempos e lugares. Por isso, a santidade não é apenas
um dom pessoal, mas dom da Igreja e para a Igreja, sendo, desta forma, dom para
a humanidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário