23 de fevereiro de 2015

Conversando com a Evangelii Gaudium VII

Após merecidas férias, continuamos com postagens sobre a EG

O primado da Graça e a ação humana na Igreja e através dela

                Deus chama a todos os homens para que se tornem seus filhos e filhas. Este chamado acontece sempre por iniciativa divina, em consonância com a ação humana. A Igreja atua como instrumento de Deus e como Sacramento Universal de Salvação. Ela anuncia de modo “jubiloso”, alegre, a mensagem salvadora de Deus por meio de seu Filho, Jesus Cristo.
                O Papa Francisco cita o seu antecessor, Bento XVI, quando afirma que “é sempre importante saber que a primeira palavra, a iniciativa verdadeira, a atividade verdadeira vem de Deus e só inserindo-nos nesta iniciativa divina, só implorando esta iniciativa divina, nos podemos tornar também – com Ele e nele – evangelizadores.”[1]. Às vezes, estamos tão preocupados com os nossos planos e projetos pastorais, que nos esquecemos que eles devem nascer primeiro no Coração de Deus, para depois serem organizados na nossa mente e ação prática. A Igreja torna-se evangelizadora na mesma medida em que ela se deixa “evangelizar” pela ação do Espírito Santo, que move e impulsiona toda a ação eclesial.
                Outro aspecto importante que o Papa aborda na EG 113 é sobre a importância de a Evangelização nos conduzir a uma ação eclesial, uma vez que, uma vez evangelizados, nós nos tornamos parte viva do Corpo de Cristo.  Ninguém se salva sozinho, isto é, nem como indivíduo isolado, nem por suas próprias forças. Deus atrai-nos, no respeito da complexa trama de relações interpessoais que a vida numa comunidade humana supõe. Este povo, que Deus escolheu para si e convocou, é a Igreja.”[2] Como precisaríamos crescer na consciência de que todos somos Igreja e que, por isso, toda a nossa ação deve ser eclesial e deve repercutir eclesialmente, ou seja, o nosso modo de ser e de viver nos torna “co-responsáveis” pela perdição ou pela salvação de muita gente, que olha para nós como exemplo a ser seguido ou a ser evitado. Assim como muitas pessoas contribuíram para a nossa vida na fé (e quantos outros foram contra-testemunhas para nós?), nós também contribuímos para a salvação ou não de tantos outros que vêem em nós como discípulos missionários de Jesus Cristo.
                Da mesmo forma que existe a dimensão social do pecado e todo o ato pecaminoso atinge a humanidade como um todo, a santidade também possui sua dimensão coletiva. Chiara Lubich cunhou a expressão “santidade coletiva”, para dar destaque que os santos não são apenas santos para si mesmos, mas para toda a humanidade e o seu testemunho faz resplandecer a ação contínua do Espírito de Deus na humanidade, tornando-se alavanca para que outros também busquem viver o mesmo ideal. Basta ver a vida dos santos e santas para percebermos a importância de suas vidas não apenas para a sua época e cultura, mas para todos os tempos e lugares. Por isso, a santidade não é apenas um dom pessoal, mas dom da Igreja e para a Igreja, sendo, desta forma, dom para a humanidade.




[1] AAS 104 (2012), 897  
[2] EG 113

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