24 de fevereiro de 2015

Conversando com a Evangelii Gaudium VIII

Um anúncio para pessoas e realidades concretas

O capítulo terceiro da EG trata de modo específico do tema “O Anúncio do Evangelho”. Estamos chegando ao núcleo daquilo que a própria Exortação Apostólica quer tratar e que é o núcleo de toda a mensagem cristã: a Boa Nova do Amor de Deus manifestada por meio de Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado para a nossa Salvação.
    Não podemos – e o Papa Francisco tem isso bem presente – esquecer que a mensagem do Evangelho é destinada a todas as pessoas de boa vontade. Da mesma forma que ninguém está excluído do Amor de Deus, ninguém, na Igreja, está fora da missão de evangelizar. Todos aqueles que, pela fé e pelo Batismo, fazem parte do Povo da Nova Aliança, tornam-se participantes também da missão que esse povo recebeu de Deus. “Ser Igreja significa ser povo de Deus, de acordo com o grande projeto de amor do Pai. Isto implica ser o fermento de Deus no meio da humanidade; quer dizer anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de ter respostas que encorajem, deem esperança e novo vigor para o caminho. A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida boa do Evangelho”[1]. Aos anseios da humanidade e às suas perguntas existenciais mais básicas, a resposta que a Igreja deve oferecer – que nós, sua Igreja hoje, devemos oferecer – deve ser sempre o anúncio da Pessoa de Jesus e sua Palavra viva, seja pela nossa palavra, seja pelo nosso testemunho concreto. A vida do cristão deveria ser vivida de tal modo que provocasse nos que convivem com ele a pergunta: “Por que ele(a) é assim? Qual a razão para suas atitudes tão belas e tão nobres?”
     Outro aspecto abordado nesse capítulo terceiro é a cultura que recebe o Evangelho. A Boa Nova da Salvação chegou aos povos mais distantes da terra graças à ação de evangelizadores que souberam compreender a cultura e os costumes dos povos a quem eram enviados. Basta lembrar de São José de Anchieta, bem como os missionários jesuítas que evangelizaram diferentes regiões do nosso país nos seus primórdios. Procuraram aprender os idiomas e costumes locais, para poder, com maior facilidade, transmitir aos indígenas a fé. A beleza da catolicidade da Igreja consiste em celebrar a sua fé com os costumes, idiomas e liturgias prórpias de cada região do nosso planeta. A noção de cultura é um instrumento precioso para compreender as diversas expressões da vida cristã que existem no povo de Deus.”[2] É importante, porém, lembrar, que a variedade cultural não ameaça a unidade da Igreja[3], pois é o mesmo Espírito Santo que une a Igreja, mesmo com diferentes expressões. O milagre de Pentecostes acontece  ainda hoje.



[1] EG 114
[2] EG 115
[3] Cf. EG 117

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